Mota-Engil, ABB e consórcio da Lucios querem Matadouro do Porto | in Público

Júri deverá apresentar até ao final de Abril um relatório preliminar, em que já será possível identificar o vencedor, caso não haja contestação.

A Câmara do Porto já divulgou quem são os três concorrentes que vão disputar a reabilitação total e gestão parcial do antigo Matadouro Industrial da cidade – um projecto-âncora para a zona de Campanhã, apresentado há cerca de dois anos. Segundo uma informação colocada na página da internet da autarquia foram aceites a concurso as empresas Mota-Engil, Engenharia e Construção, SA, a Alexandre Barbosa Borges, SA (ABB) e o agrupamento de empresas Alberto Couto Alves, SA e Lúcio da Silva Azevedo & Filhos, SA (Lucios). Os resultados preliminares sobre o vencedor são esperados para o final de Abril.

É para essa data que se espera uma decisão preliminar do júri, apontando já para a proposta mais bem posicionada segundo o modelo de avaliação apresentado. Os concorrentes terão, então, a possibilidade de apresentar pronúncias ou reclamações, seguindo-se a decisão final do júri, confirmando ou não o vencedor aquando do relatório preliminar.

Este terá então a responsabilidade de desenvolver o projecto de reconversão do antigo Matadouro, orçado em cerca de 15 milhões e com um prazo de execução de obra de cerca de dois anos, precedido de sete meses destinados à conclusão do projecto. O vencedor do concurso fica ainda, durante 30 anos, com a exploração de grande parte dos 20.500 metros quadrados do equipamento, ficando apenas 9200 destes metros quadrados sob a gestão da empresa municipal GO Porto.

O programa previsto para o Matadouro prevê a reabilitação de grande parte do equipamento, havendo algumas estruturas demolidas. Está também projectada a construção de um novo edifício, nas traseiras do terreno, a partir do qual será aberta uma nova ligação directa ao metro e ao parque de estacionamento do Estádio do Dragão.

O município, através da Go Porto, terá a gestão dos espaços culturais e sociais – como o Museu da Indústria, um espaço museológico da memória do próprio edifício, espaços de residências artísticas, um auditório e oficinas – ficando o vencedor do concurso com a concessão da área mais vasta, destinada a empresas e comércio.

Quando o programa de concurso foi apresentado à vereação, no ano passado (ainda durante o anterior mandato), o vereador Ricardo Valente afirmou que, apesar de estar previsto que o município pague ao concessionário pelo uso dos espaços que irá gerir, esse valor poderá ficar “a custo zero”, uma vez que o concessionário também terá que pagar à Go Porto pelo uso do imóvel que se manterá como propriedade municipal.

In, Publico

Catalonia Hotels & Resorts chega a Portugal | in Dinheiro Vivo

Cadeia hoteleira vai abrir no Porto, numa parceria com a construtora Lucios.

A Catalonia Hotels & Resorts, uma das principais cadeias em Espanha, vai iniciar operações no mercado português já em 2020. O Porto foi a cidade escolhida para esta estreia, na sequência de uma parceria com a construtora Lucios, especialista em reabilitações urbanas.

O negócio “afirma a nova estratégia da Lucios Engenharia e Construção para o setor imobiliário”, com a introdução de um novo modelo de negócios assente em projetos ‘chave na mão’, com a construtora a assegurar todo o processo imobiliário, desde a aquisição do imóvel, a execução do projeto, licenciamento, construção, assessoria e consultoria, destaca a empresa em comunicado.

“Esta nova estratégia permite-nos adaptar às novas exigências do mercado, que regista, atualmente, uma grande procura por investidores estrangeiros. Através da conceção destes projetos chave na mão, podemos entregar ao cliente um serviço com valor acrescentado, garantindo, em simultâneo, que a sua entrada no mercado português é sustentável”, destaca Filipe Azevedo, administrador da Lucios, assumindo que o objetivo é que esta nova área assegure 40% do volume de negócios da construtora.

O projeto representa um investimento de 14 milhões de euros da Catalonia Hotels & Resorts, que inclui, entre outros serviços, a aquisição de cinco imóveis da zona histórica do Porto (propriedade da Lucios) e os trabalhos de reabilitação. As obras vão durar entre 18 a 24 meses, prevendo-se a inauguração em 2020. O diretor de expansão da Catalonia Hotels & Resorts reconhece que a entrada no mercado português é uma “ambição antiga”, com o grupo a continuar à procura de novas oportunidades, tanto no Porto como em Lisboa.

“Ambas as cidades são destino de elevado interesse turístico e com um enorme potencial de rentabilidade, pelo que não poderiam estar fora da nossa atual política de expansão internacional”, diz Federico Holzmann. A primeira unidade da Catalonia Hotels & Resorts em Portugal terá 86 quartos, jardim, piscina interior, SPA, salas de reuniões e outros serviços.

O grupo tem, atualmente, 68 unidades em cinco países diferentes: 56 em Espanha, dois na Bélgica (Bruxelas), um na Alemanha (Berlim) e um na República Dominicana (Santo Domingo), onde conta, ainda, com quatro resorts, a que acrescem outros quatro no México.

 

In Dinheiro Vivo.

Restauro do Mercado do Bolhão adjudicado por 22,4M de euros | in JN

O restauro do Mercado do Bolhão foi adjudicado por 22,4 milhões de euros. A empreitada, submetida a novo financiamento comunitário, deve começar no início de 2018 e ficar pronta até 2020.

A Câmara do Porto revelou, na página da Internet, que a obra, sujeita a um concurso público iniciado em dezembro com o valor base de 25 milhões de euros, foi agora “adjudicada ao agrupamento Alberto Couto Alves, SA, e Lúcio da Silva Azevedo & Filhos, SA, por 22.379.000 euros, estando estabelecido um prazo global de execução de 720 dias [cerca de 24 meses, ou seja dois anos]”.

A Câmara acrescenta ter apresentado, na terça-feira, uma “segunda candidatura a fundos comunitários” para “o investimento de 7.406.647,06 euros” na reabilitação do Bolhão, tendo em vista juntar este financiamento a uma primeira candidatura já aprovada que “resultou na comparticipação comunitária de 1.566.263,27 euros (de um investimento elegível de 1.842.662,67 euros)”.

A autarquia refere estar previsto para o início de 2018 o arranque da empreitada que esteve inicialmente agendado “para setembro”, mas que sofreu “um atraso em fase de concurso, devido a litigâncias entre concorrentes que obrigaram, por força da lei, à suspensão dos procedimentos”.

A Câmara recorda que o concurso internacional lançado para reabilitar o Bolhão “suscitou o interesse de 41 operadores económicos e resultou, numa primeira fase, na apresentação de 12 candidaturas, algumas em agrupamento”.

“A aplicação dos requisitos técnicos e financeiros estabelecidos no procedimento resultaria na seleção de oito candidaturas e, numa segunda fase, os candidatos selecionados foram convidados a apresentar proposta. Acabariam por ser rececionadas apenas cinco propostas, sendo que uma foi excluída pelo júri do concurso”, acrescenta.

A autarquia acrescenta que, “já no decorrer da audiência prévia, dois dos concorrentes apresentaram pronúncia” e que, “após análise pelo júri do procedimento, foram excluídos mais dois concorrentes”.

“A fase de análise de propostas foi concluída no dia 03 [sexta-feira], com a aprovação do relatório final pelo Conselho de Administração da GO Porto [empresa municipal de Gestão de Obras Públicas]. Neste momento está em curso a fase de habilitação do agrupamento”, descreve o município.

O município lembra ainda estar já concluído, desde setembro, o mercado temporário que vai acolher os comerciantes do Bolhão durante os 24 meses de obras, referindo estar em causa uma “estrutura provisória criada pela autarquia, com uma área de mais de cinco mil metros quadrados”, no Centro Comercial La Vie, na rua Fernandes Tomás.

Numa visita feita ao mercado temporário a 20 de setembro, enquanto candidato à Câmara do Porto, o atual presidente, Rui Moreira, destacou as “ótimas condições” do mercado temporário concluído para acolher 86 comerciantes do Bolhão, congratulando-se com a adesão de 80% dos comerciantes do interior do mercado à requalificação.

Na visita, Cátia Meirinhos, administradora da GO Porto informou que transitam para o mercado temporário 74 comerciantes do interior do Bolhão, dos quais 61 bancas de talho, fruta, legumes ou peixaria, quatro restaurantes, um amolador e oito carrejões.

A responsável acrescentou que, dos atuais 100 comerciantes do interior do mercado, 25 optaram por cessar a atividade, sobretudo por motivos relacionados com a idade.

Quanto aos 40 atuais comerciantes das lojas exteriores do Bolhão, 12 transferem-se para o mercado temporário, outros encontraram soluções noutro local e cerca de nove ponderavam, na altura, cessar a atividade.

In JN

Mercado Beira-Rio em Gaia abre portas renovado | in Dinheiro Vivo

Mercado Beira-Rio, localizado na marginal de Gaia, reabre com um conceito renovado, que alia a experiência gastronómica à tradição dos frescos.

O renascer de um espaço emblemático, onde os produtos frescos sempre foram reis durante 80 anos, e que agora com uma resposta mais moderna alia a experiência das compras com a gastronomia. Sim, depois de anos perdido e quase sem vida o Mercado Beira-Rio, na marginal de Vila Nova de Gaia, reabre as portas depois de um processo de reabilitação. Todas as bancas de frutas, legumes e talho, e os típicos cafés e lojas de artesanato, que ainda se mantinham no edifício, viram os seus espaços melhorados e passam a conviver com restaurantes modernos, bares de vinho e cerveja e lojas de doçaria tradicional.

O Mercado Beira-Rio tem uma área superior a mil metros quadrados e 47 espaços comerciais. O espaço oferece 178 lugares no interior e 344 lugares de esplanada exterior e vai funcionar com horários alargados durante todo o ano. O projeto vai gerar perto de 100 novos postos de trabalho e um volume de negócios de cerca de 3,5 milhões de euros. Uma ida até ao velho/novo mercado, além de garantir que encontra todos os produtos que ali se vendiam, pode ainda perder-se pelos sabores da cozinha portuguesa. É só escolher, desde o leitão d’O Forno do Leitão do Zé, o bacalhau do Chef Manuel de Almeida (Bacalhau do Porto) ou as tábuas de queijos e enchidos da Queijaria Portuguesa.

E outros nomes, que já fazem parte da vida dos portuenses também quiseram estar no novo Mercado Beira-Rio, como o Barriga Negra, a Taxca, a Alta Burguesia e o daTerra. Há também espaço para os sabores internacionais, desde as famosas piadinas italianas da Piadina Mia, o sushi e ceviche do Sushi no Mercado e os croquetes da Kroquet, inspirada nas croquetarias holandesas.

Nos doces a tradição cumpre-se com os chocolates e gelados artesanais da Arcádia, mas aliada à criatividade da Miss Pavlova e os brigadeiros do Brigadão.

Naturalmente, que sendo em Gaia, terra de caves do Vinho do Porto, as bebidas não podiam faltar, com uma loja de vinhos e um bar com marcas Sogrape e o espaço Super Bock Beer Experience.

Os responsáveis pelo espaço garantem que além de ser um destino gastronómica, vão apostar num cartaz cultural, que inclui música ao vivo, exposições de arte, recitais de poesia e eventos temáticos sazonais ao longo de todo o ano.

A gestão do Mercado Beira-Rio está entregue à sociedade Fachada Oceânica, consórcio composto pela construtora Lucios, especialistas em reabilitação urbana, e pela Legível Puzzle, cujos sócios são a PEV Entertainment, promotor de eventos culturais como o Festival Marés Vivas, e pela Jocalu Higiene Industrial. A conceção de exploração do espaço foi concedida pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia por 30 anos.

In Dinheiro Vivo

Lucios reforça vocação hoteleira e estreia-se nos espaços comerciais | in Expresso

Construtora evoluiu para a promoção de hotéis. Conta com seis unidades em carteira.

Primeiro especializou-se na reabilitação urbana, depois tentou a promoção hoteleira. Agora, no âmbito de uma cruzada de diversificação de negócios, a construtora Lucios arrisca na exploração de espaços comerciais, através do Mercado Municipal Beira-Rio, na marginal de Gaia. A inauguração
está marcada para 12 de setembro.

É uma estreia dois em um: nas concessões e no imobiliário comercial, com o turismo em fundo. A operação é de risco reduzido (€1,4 milhões de investimento e uma renda mensal de €2 mil) e feita em parceria com a PEV Entertainment, a promotora do Festival Marés Vivas. Mas representa uma síntese perfeita da nova filosofia empresarial da Lucios, focada em “diversificar e dominar todas as fases do projeto, numa lógica de chave na mão”.

É um caso exemplar, “por combinar a renovação do edificado com a aposta num negócio virado para o turismo”, diz
Filipe Azevedo, o representante da terceira geração que conduz
os destinos da construtora familiar. O Mercado Beira-Rio “beneficiará do fluxo impressionante de turistas que circula pela marginal de Gaia”. Filipe Azevedo confia que a pujança e prosperidade que o turismo vive “está para durar”.

O mercado encontrava-se decrépito e a ocupação reduzida a um punhado de bancas de frutase legumes quando a Câmara Municipal lançou um concurso público de renovação e exploração. O consórcio da Lucios foi a jogo e, entre três candidatos, ganhou a concessão por 30 anos. Com as caves de vinho do Porto ali ao pé, o mercado será gerido numa lógica de centro comercial, criando na frente ribeirinha um quarteirão de cultura e lazer com 47 espaços distribuídos por dois pisos.

O conceito segue de perto o modelo que foi aplicado no Mercado do Bom Sucesso, no Porto, com a vantagem de
combinar novos lojistas com os comerciantes que resistiram à degradação do velho mercado. A oferta é, por isso, variada, focada na restauração “de pronúncia nortenha e raiz tradicional”, no artesanato, nos vinhos e nos sabores — os 22 espaços disponíveis já foram colocados. Vão conviver com as 11 bancas de frescos que já existiam — e sobra um talho, que transita também para a nova versão. É uma “fórmula de sucesso”, que a Lucios gostaria de repetir “se outros municípios optarem por  este tipo de solução”, diz Filipe Azevedo.

Seis hotéis próprios

Viciada na reabilitação, a Lucios acumulou currículo com empreitadas nos centros históricos de Lisboa e do Porto para operadores hoteleiros, antes de se aventurar por sua conta e risco, identificando oportunidades e promovendo novas unidades. Os hotéis Intercontinental, Eurostar Heroísmo, NH Porto Batalha ou o hostel Bluesock, todos no Porto, testemunham a vocação hoteleira da construtora. Nas empreitadas em curso no Porto contam-se, por exemplo, a ampliação do Hotel Carris e uma nova unidade junto à Praça do Marquês — na capital de Moçambique
executa dois hotéis para investidores estrangeiros.

A estreia da Lucios como promotora verificou-se em 2016, com a transformação de uma antiga escola de teatro e dança no The House Ribeira Hotel (56 quartos), entregando depois a gestão à Sonae. Neste aso, negociou um aluguer de longa duração (30 anos). A associação Balleteatro, dona do edifício, não o podia vender. Seguiu-se a Baixa de Lisboa, com a renovação de um edifício pombalino, brindando a capital com o charme do boutique hotel AlmaLusa (28 quartos). Nos dois casos, a Lucios partilha as operações com investidores “com a mesma visão do negócio”. É um modelo “que nos permite libertar recursos, dinamizar novos projetos e gerar mais obra para a construtora”, justifica Filipe Azevedo.

E são mais quatro os projetos na rampa de lançamento. No Porto, a renovação da antiga Pensão Avis, na Praça da Batalha (95 quartos), arranca em setembro, tal como a transformação de um edifício adjacente à Praça Carlos Alberto (70 quartos). A reabilitação de um terceiro edifício, na Rua do Bonjardim (83 quartos), fica para janeiro de 2018. Lisboa acolhe a única construção de raiz, junto ao Largo do Rato (102 quartos) — a participação da Lucios é de 25%.

Esta ofensiva hoteleira envolve €40 milhões. A construtora acredita que vai fechar mais aquisições este ano em Lisboa ou no Porto e escrutina já os centros históricos de outras cidades. A tentação de evoluir para a gestão hoteleira “é grande, tendo em conta as margens favoráveis com que negócio lida”, mas até agora refreou os ímpetos.

Na frente residencial, a Lucios prefere também repartir o risco dos projetos com sócios financeiros. Em execução tem
os empreendimentos Essenza, com 25 apartamentos sobre o Parque da Cidade do Porto (€20 milhões), e o condomínio da Foz, de seis moradias (€8 milhões).

 

MULTIUSOS ROSA MOTA

Nas concessões municipais, uma segunda operação de maior envergadura ocupa o consórcio Lucios/PEV. Em novembro, a construtora arranca com as obras de renovação do interior do Pavilhão Rosa Mota para brindar o Porto em maio de 2018 com um arena multiusos moderna e versátil. São €8,5 milhões de obra. A nave torna-se um centro de congressos (4700 congressistas) e um recinto para provas desportivas (5580 lugares) e concertos, com lotação até 8660 espectadores.

Pavilhão Rosa Mota vai conseguir ficar totalmente às escuras em 2019 | in Público

Obra deverá começar em Outubro e vai custar oito milhões de euros ao consórcio Porto Cem Por Cento Porto, que venceu a concurso para a requalificação e exploração do edifício. O interior será completamente novo.

Está a ver as aberturas circulares da cúpula do Pavilhão Rosa Mota, no Porto? Quando o edifício estiver reabilitado – o que está previsto para Maio de 2019 – cada uma dessas pequenas janelas vai estar munida de um mecanismo que permitirá “fechá-las”, impedindo a passagem da luz para o interior. Esta é uma das novidades que o consórcio Porto Cem Por Cento Porto pretende introduzir no futuro Rosa Mota, cuja abertura está prevista para Maio de 2019.

Filipe Azevedo, representante da Lúcios no consórcio que inclui ainda a PEV Entertainment e a Oliveira Santos Consultores, explicou, na manhã desta quarta-feira, que a possibilidade de abrir ou fechar a passagem de luz das pequenas esferas da cúpula em nada interferirá com a imagem exterior do edifício desenhado pelo arquitecto Carlos Loureiro e inaugurado em 1952. E, disse ainda, por se tratar de uma “questão técnica”, o projectista original do edifício também não foi informado desta alteração. “A luz prejudica alguns eventos, por isso tivemos que introduzir este mecanismo. Tínhamos que encontrar uma forma para que, em determinados eventos, as abertura estarem fechadas”, disse o empresário, durante a apresentação do projecto. “Isto também estava previsto no projecto [de reabilitação] do arquitecto Carlos Loureiro [de 2009]”, afirmou ainda o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

O futuro Rosa Mota, cuja reabilitação vai custar ao consórcio oito milhões de euros, vai munir o pavilhão de um interior completamente novo. Todas as bancadas serão retiradas, para serem substituídas por novas, distribuídas por quatro anéis e rebatíveis. O piso abaixo do espaço principal verá nascer salas de apoio a congressos, uma área de restauração e outros espaços de apoio, como camarins ou vestiários. Tudo para que o pavilhão, que será totalmente climatizado, possa transformar-se num verdadeiro multiusos.

O consórcio apresentou um conjunto de simulações, demonstrando a versatilidade do espaço, consoante o evento que lá se organize, e a respectiva lotação. Sendo certo que a sala principal terá uma capacidade máxima de cerca de 4730 lugares no caso de acolher um congresso, de 5580 se falarmos de um evento desportivo e de 8660 se o que estiver em causa for um concerto. Mas, tudo isto varia também. A localização do palco, no caso de um concerto, pode fazer variar a lotação (para menos capacidade) e, no caso de congressos, há que ter em conta a existência de três salas de apoio no Piso 0 (abaixo do principal), que oferecem, em conjunto, mais cerca de 1375 lugares.

O projecto está ainda nos serviços da Câmara do Porto, à espera do licenciamento final, e aguarda também pelos necessários pareceres externos, para que a obra possa avançar. Filipe Azevedo explicou que os trabalhos devem começar em Outubro e que, quando estiverem concluídos, o pavilhão estará munido “das mais modernas e recentes tecnologias que existem, a todos os níveis”, incluindo a nível acústico, uma das áreas de resolução “mais complicada”, admitiu. O objectivo, disse, é que o Rosa Mota não seja um espaço de eventos esporádicos. “Queremos dar-lhe a maior vida possível. Gostávamos que o pavilhão tivesse vida todos os dias”, disse.

Também Jorge Silva, da PEV Entertainment, realçou a importância do edifício rodeado pelos jardins do Palácio de Cristal – nos quais o consórcio não irá tocar –, defendendo que ele deverá ser “a sala de referência que o Porto merece e de que Portugal precisa”. “Nas imediações há ruas com muita apetência cultural, como a de Miguel Bombarda ou do Rosário, e que vêm desaguar ao Palácio de Cristal. Queremos que ele seja o ponto de ligação da Baixa portuense”, disse.

Rui Moreira lembrou as “inúmeras vicissitudes” que acompanharam o processo de reabilitação do Pavilhão Rosa Mota, mas garantiu estar satisfeito com o desfecho. “Queríamos um multiusos, que resolvesse um conjunto de deficiências que há na cidade. O Porto é muito atraente para congressos, mas a Alfândega não chega”, disse o autarca, realçando também a capacidade de o Rosa Mota poder transformar-se num “pavilhão desportivo” ou em sala de concertos. As perspectivas para a centralidade pretendida pelo consórcio também são boas, defendeu o presidente da Câmara do Porto, lembrando que está em marcha o processo para instalar “ligações suaves entre este equipamento e a Alfândega” e que a Metro do Porto está a estudar a futura Linha Rosa com “duas estações” nas proximidades do Palácio de Cristal.

A reabilitação do Pavilhão Rosa Mota chegou a ser entregue a Carlos Loureiro, durante os mandatos de Rui Rio, mas a proposta inicial do arquitecto foi mal recebida pela cidade, uma vez que implicava a construção de um novo edifício que iria afectar os jardins e o lago do Palácio de Cristal. O projecto ainda seria refeito, mas a câmara acabaria por abandonar o processo de reabilitação, alegando indisponibilidade financeira.

Rui Moreira acabaria por lançar um concurso público para a requalificação e exploração do pavilhão, que acabou nos tribunais. O consórcio que agora vai requalificar o pavilhão é um dos dois concorrentes que, inicialmente, tinham sido excluídos pelo júri do concurso, sem que este avaliasse sequer as propostas, por considerar que elas não cumpriam os requisitos exigidos no caderno de encargos.

In Publico

Mercado Beira-Rio em Gaia abre-se ao século XXI em agosto | in Observador

Bancas de frutas e legumes, mas também restaurantes, lojas, espaços para prova de vinho do Porto e um palco para concertos. O Mercado junto ao rio Douro está de cara lavada e quase pronto a inaugurar.

O velho Mercado Municipal da Beira-Rio, em Vila Nova de Gaia, entra no século XXI no final deste mês. Depois de meio ano encerrado para obras profundas de reabilitação, ficaram os mesmos vendedores de frescos, aos quais se juntam agora restaurantes e lojas. Ao todo, vão ser criados 40 postos de trabalho fixos, mais alguns sazonais em época de verão.

“Ao todo temos mais de 30 lojas e bancas, mais dois espaços culturais: um vocacionado para conferências e workshops, e outro mais musical, com um palco”, adianta ao Observador o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia. Eduardo Vítor Rodrigues quer que o mercado conquiste pelo estômago, mas não só. A ideia é reproduzir o modelo do Mercado de San Miguel, em Espanha, ou seja, “aliar o mercado ao lazer, onde as pessoas possam ter experiências de cozinha gourmet, workshops e também uma componente cultural“, explica o autarca.

O mercado conta com 1.180 metros quadrados e dois pisos. Em cima nasceu uma mezzanine, que pode ser alugada para alguns eventos privados. Na zona de esplanada interior haverá então concertos e outros eventos. Cá fora, na parte da frente da fachada, os clientes encontram uma esplanada generosa. “O mercado ocupará em momentos de maior frequência a esplanada exterior traseira e lateral”, acrescenta Eduardo Vítor Rodrigues. O objetivo é criar “um quarteirão cultural e de lazer”.

Os vendedores de frutas, legumes, talho e peixaria “mantiveram-se todos, menos um que desistiu”, sublinha. As rendas, garante, são as mesmas para os antigos. As condições em que trabalham agora é que melhoraram a olhos vistos. A fachada amarelada voltou ao rosa original, substituíram-se as telhas de amianto por telhas iguais às do projeto original. Entre outras melhorias, arranjaram-se as caixilharias, numa obra que custou “muito perto dos dois milhões de euros”, adianta José Rodrigues, um dos sócios da concessionária Douro Wine Maket — uma parceria entre a sociedade Lúcio da Silva Azevedo & Filhos e a Legível Puzzle –, que ficará com a concessão durante 30 anos.

“Foi tudo da responsabilidade da concessionária”, esclarece o autarca socialista, que ainda vai contabilizar um encaixe de 2.000€ por mês de renda. O único investimento público feito que beneficia o mercado foi a reabilitação da Avenida Diogo Leite.

O Mercado fica na marginal de Vila Nova de Gaia, junto às caves do vinho do Porto. Para não deixar fugir os muitos turistas que procuram o néctar, há dois espaços que vão vender vinho do Porto e promover provas, conta Eduardo Vítor Rodrigues. José Rodrigues acrescenta que as cervejas ficam no centro do espaço e são da responsabilidade da UNICER.

De resto, haverá restaurantes de “leitão, petiscos, sushi, gelados, uma mariscaria, cachorros, francesinhas“, conta José Rodrigues, citando alguns exemplos. Algumas marcas ainda não estão escolhidas. “Existem três vezes mais interessados para os lugares que temos. A Santini está interessada, os chefs José Avillez e Rui Paula, de acordo com o responsável, também.

A reabilitação do Mercado da Beira-Rio foi uma das promessas eleitorais do autarca socialista, que queria também construir em cima residências universitárias. Por falta de espaço, essa construção não foi possível, mas o Mercado aí está. Dia certo para a inauguração, Eduardo Vítor Rodrigues não promete. Mas afiança que, “na última semana de julho, o mais tardar na primeira semana de agosto”, todos poderão conhecer a segunda vida do espaço. “Otimismo exacerbado“, aponta o concessionário, que considera mais provável que o Mercado da Beira-Rio só se dê a conhecer “em meados de agosto”.

“Admito que venhamos a replicar o modelo noutros sítios à beira-mar”, admite. Mercados inteiros ou restaurantes. No dia 18 de julho inaugura um restaurante no topo do Mercado da Afurada, concessionado pela autarquia ao Grupo Madudeira’s.

Nome: Mercado Municipal da Beira-Rio
Morada: Av. de Ramos Pinto 148, 4400-261 Vila Nova de Gaia (Cais de Gaia)
Horário: Verão (1 de maio a 30 de setembro): de segunda a quarta, das 10h às 00h, de quinta a domingo, das 10h às 02h
Inverno (1 de outubro a 30 de abril): de segunda a quarta, das 10h às 23h, de quinta a domingo, das 10h às 00h

In Observador

Câmara do Porto já adjudicou obras no Pavilhão Rosa Mota | in Público

Candidato do PSD, Álvaro Almeida foi ontem ao palácio ver o Porto que não saiu do papel

 

A Câmara do Porto já adjudicou a obra de transformação do Pavilhão Rosa Mota num centro de congressos e eventos, e o consórcio PEV/Lúcios tem agora dois anos para concluir os trabalhos de transformação deste equipamento num centro de congressos. O longo e polémico processo envolvendo o concurso público atrasou esta empreitada, facto que levou o PSD a atirar-se ontem à “incapacidade de execução” dos grandes projectos demonstrada, diz o candidato Álvaro Almeida, pelo executivo de Rui Moreira.

No contrato entre a Câmara do Porto e o consórcio, que, após várias vicissitudes, acabou por ganhar a obra, não está previsto nenhum prazo para o arranque dos trabalhos, cabendo a este último, que inclui a produtora PEV Entertainment e a construtora Lúcios, definir o cronograma de trabalhos e o seu início, em função do prazo para a conclusão dos mesmos, esses sim definidos no caderno de encargos, e que se cifram em 730 dias após a assinatura do contrato.

Este foi rubricado já entre as partes depois de o Tribunal de Contas ter indicado ao município que não teria de dar visto prévio a este negócio pelo facto de ele não envolver uma despesa para a Câmara do Porto. Pela concessão do espaço por 20 anos, a autarquia vai receber 20 mil euros por mês, estando o concessionário obrigado a manter e explorar o pavilhão, captando pelo menos quatro eventos internacionais por ano.

Se, como pretende, ganhar as eleições de Outubro, o independente Álvaro Almeida, que encabeça a candidatura do PSD, não mexerá neste projecto, apesar de não concordar com o que vai ser feito no Rosa Mota. O candidato admitiu mesmo que, se estivesse no lugar do autarca, teria avançado com o projecto anterior, mais ambicioso em termos de capacidade, e que implicava a construção de um novo edifício no jardim, o que foi, na altura, contestado. Mas agora não quer perder tempo.

“Nenhum projecto é perfeito”, argumentou, considerando que a solução encontrada entretanto não vai ao encontro das necessidades da cidade, por não servir para a realização de congressos ou eventos de grande dimensão, não acomodáveis no pavilhão ou no Centro de congressos da Alfândega. Se um equipamento destes existisse, o Porto poderia, por exemplo, concorrer à realização do festival da canção, disse.

“Recordo que Rui Moreira, quando se candidatou em 2013, prometeu construir um centro de congressos no Palácio de Cristal e a quatro meses do fim do mandato não vemos nada. Está como estava nessa altura”, afirmou. O candidato do “Porto Autêntico” fez estas críticas durante uma iniciativa de pré-campanha, no Palácio, durante a qual culpou o executivo liderado por Rui Moreira pelo estado de “degradação e abandono” deste equipamento.

“Este é um exemplo de um problema a que o actual presidente da câmara prometeu dar solução e que não foi capaz de executar”, vincou Álvaro Almeida, que vê na demora do arranque deste e de outros projectos um sinal de “incompetência”. Quando ele se candidatou, prometeu fazer, não prometeu planear, acusou, alargando a crítica a outros projectos.

Para além da reabilitação do palácio, Álvaro Almeida meteu no mesmo saco o mercado do Bolhão, o matadouro, que deixou de ser um centro logístico (promessa de campanha em 2013), para não ser, ainda, o pólo cultural apresentado em 2016, em Campanhã, a freguesia onde também o terminal intermodal de transportes não saiu, ainda, do papel. A estes, o independente acrescentou ainda a Linha Ocidental do Metro do Porto — obra que não depende do município mas que este, assinalou, deixou cair.

Em todo o caso, Álvaro Almeida promete dar seguimento aos projectos em curso para não atrasar mais a sua execução, mesmo que não concorde totalmente com eles. No caso do Pavilhão Rosa Mota, os custos para reverter o projecto seriam demasiado grandes para a cidade.

 

In Publico