O novo motor africano está em fase de arranque

Carteira das construtoras vale €700 milhões. Dimensão do mercado condiciona novos investimentos fabris

Quando decidiu estrear-se no exterior, a construtora Lucios destoou do movimento geral e optou por Moçambique. O convite de um investidor para a construção do Maputo Bay, um empreendimento residencial de €6,5 milhões dissipou de vez as hesitações.

Três anos depois, a Lucios prospera (carteira de €52 milhões) e verifica que o país cumpre os critérios essenciais para reduzir os riscos operacionais: segurança, estabilidade política e funcionamento saudável do mercado em que pontua a iniciativa privada.

“Em Moçambique não ficamos reféns de um só cliente, nem a economia tem um desempenho artificial pela dependência do Estado”, comenta o administrador Filipe Azevedo.

A família Azevedo já diversificou atividades, investindo no negócio da água engarrafada e produção de refrigerantes e na promoção residencial e hoteleira, com um projeto de €9,5 milhões.

Moçambique tornou-se um mercado natural para as grandes construtoras que, tal como a banca, logo inscreveram o país na sua cruzada externa. É já o quinto mercado externo, representando uma produção de €300 milhões.

O declínio de outros destinos reforçou a importância de Moçambique que pesa 10% (€700 milhões) na carteira de obras das construtoras no exterior. A onda de sedução contaminou outras atividades. São mais de 250 as firmas portuguesas com sucursais no país. A evolução do investimento direto é um sinal do ambiente favorável aos negócios.

No biénio 2013/14 somou €1,4 mil milhões e este ano deverá aproximar-se dos mil milhões. No primeiro trimestre, foram aprovados 22 novos projetos e Portugal ocupa o terceiro lugar do ranking.

FOnte: Semanário Expresso