Lucios reabilita Mercado Janet de Maputo

Avenida Mao Tsé-Tung, Maputo, 7 de Abril: no Mercado Janet, espécie de “Bolhão” informal da capital moçambicana, as vendedoras, enroladas em capulanas - pano colorido que usam para cingir o corpo e que é o símbolo da mulher daquele país, celebram o aniversário da morte de Josina Machel. Tal como a segunda esposa deSamora Machel, primeiro presidente de Moçambique, as comerciantes defendem que a mulher moçambicana “não foi feita para ficar parada, mas sim para trabalhar”. 

E este universo feminino, que compõe a maioria dos vendedores de tão típico mercado de Maputo, que espera regressar a um “novo” Janet, dentro de menos de um ano, pelas mãos da portuguesa Lucios. A construtora da familia Azevedos está a arrancar com as obras de reabilitação doJanet. Um projecto orçado em 20,4 milhões de dólares (18,3 milhões de euros), a executar em regime de parceria público-privada, tendo o município de Maputo como dono da obra. 

“Este renovado mercado, que irá oferecer melhores condições de trabalho a mais de 600 comerciantes, deverá ser inaugurado no início do segundo semestre do próximo ano”. adiantou, ao Negócios, Luis Machado, administrador da Lucios. Em trocada reabilitação do Janet, a empresa ganha como contrapartidas capacidade construtiva sobre o mercado e num terreno adjacente. 

O projecto contempla uma área total de quase 6,6 mil metros quadrados. No rés-do-chão ficarão instaladas as barracas e bancas. Já nos três pisos superiores estão previstos espaços para usos diversos, com cercade 4,700 metros quadrados cada”“Trata-se de uma PPP com uma componente de promoção na área de comércio e serviços, e, ainda durante este ano, iniciaremos, com um iarceiro privado, um edifício residencial”, adiantou o mesmo gestor. 

Maior do que em Portugal 

A operar há quatro anos em Moçambique, a Lucios prevê que, ainda nesta década, aquele mercadovenha a ter uma dimensão superior à de Portugal. No ano passado, facturou Ii milhões de dólares (9,8 milhões de euros) em Moçambique, duplicando o registo do ano anterior, e tem uma carteira de encomendas a rondar os 68 milhões de dólares” (perto de 52 milhões de euros). 

Tem seis estaleiros de obra a funcionar actualmente neste PALOP, com dois destaques: na área residencial, a construção de um edifício de habitação e comércio onde irá nascera sede do Comité Olímpico do país; na sector do ensino, a construçãodo Instituto Superior de Humanidades e Tecnologias na cidade de Quelimane. “Face à conjuntura das finanças públicas eà parcela iinportante de investimento privado”, a estratégia da Lucios “passa por ter uma reduzida componente de obra pública”, explicou Luis Machado. 

Em Moçambique desde 2011, a construtora de Vila do Conde opera também “no Brasil e em França, de forma residual”, e tem em vista, “muito em breve, entrar no mercado aielino”. Em Portugal, onde emprega 290 pessoas, fechou 2014 com unia facturação dc 57 milhões de euros, metade dos quais foram gerados no segmento da reabilitação, e conta com “uma carteira de encomendas de 65 milhões de curos”. 

Responsável, por exemplo, pela reabilitação do Hotei Intercontinental e pela construção do Hilton Bom Si,icesso, a Lucios faz parte do grupo Azevedo's, que integra a Padinho (materiais de construção) e emprega cerca de 600 pcssoas. 

A construtora Lucios, que quer facturar mais em Moçambique do que em Portugal. vai reabilitar o castiço Mercado Janet, em regime de parceria público-privada. Um projecto orçado em 18,3 milhões de euros.

Fonte: Negócios